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Parar de crescer, começar a envelhecer.
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Redescobrindo Felipe
Segunda-feira, Maio 14, 2007

Minha vida em Windos Live Messenger
[Marcella]: Vc sofre com isso pq é um bobo. Vive recriminando esses babacas que andam por aí, mas quer ser como eles.
[Felipe]: Seria mais fácil.
[Felipe]: Menos triste.
[Marcella]: mais fácil p q?
[Marcella]: Acho vc patético qnd diz isso.
[Marcella]: Td que vejo em vc vira uma bobalheira só.
[Felipe]: As vezes tudo o que eu sou parece mais um fardo do que conquistas.
[Felipe]: Não sei explicar.
[Marcella]: É? Então muda.
[Marcella]: Pega um rumo e vai.
[Marcella]: Não fique com um discurso que não condizem com vc, com sua vontade.
[Felipe]: Não quero.
[Marcella]: Não entendo então.
[Marcella]: O que é um fardo pra vc?
[Felipe]: Minha conecpção do mundo, o jeito que eu interpreto as coisas.
[Marcella]: Bem vindo ao clube!
[Marcella]: Acredite, ser um idiota não melhora.
[Marcella]: E me orgulha vc não querer ser.
[Marcella]: Isso é ser forte.
Thee Silver Mt Zion Memorial - Horses In The Sky
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 11:25 PM ::
Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Se, em um passe de mágica, a vida de sua família fosse um romance, suponho que Igor não seria o protagonista. Mas certamente ele daria um grande personagem nessa obra. Já um rapaz, Igor não perdeu o prazer que adquiriu desde a infância: jogar videogames. Horas e horas todos os dias com os olhos fixados na televisão, apertando freneticamente botões enquanto o suor desce pela testa.
E se gostava tanto, era porque quando jogava esquecia de tudo: esquecia do canteiro de obras aonde mora e que nunca ia ficará pronto e das dificuldades financeiras que tinha em casa; esquecia do desprezo da avó, da soberba do pai e da frieza dos famíliares; esquecia da falta de amigos, das notas baixas no colégio e da solidão; esquecia que era surdo, esquecia que era pobre, esquecia que a vida era angustiante e sem sentido.
Igor se esquecia até do que ainda levará anos para concluir: De que integrava uma família destinada à tristeza.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 7:55 PM ::
Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Fala cara, e aí que cara é essa, irmão? Tô ligado, é aquela menina né... Essas paradas são fodas. Então, senta aí, vamos conversar. Amigo! Traz mais duas doses pra mim e pro meu amigo aqui, e vê se capricha dessa vez, porra! Pois é, não adianta ficar assim rapaz... Mulher é assim mesmo, elas são como aqueles bonecos do Fofão que todo mundo dizia que tinham um facão dentro, mas a parada é que elas tem mesmo, uma porra de um facão afiado pra burro. Falaí, o que se passou dessa vez? É, tô vendo que você tá querendo ficar calado, tranqüilo. Sinceramente, de todas as nossas conversas não lembro de você falando porra nenhuma, doidera isso, peraí. O teu viado, tu vai trazer duas doses ou não, caralho!? Porra, pára de ficar de papo com essa piranha e trás a porra do meu goró antes que eu fique puto! Esse garçom é um vagabundo, não entendo porque o dono dessa birosca não chutou esse cara pra fora. Ah é, então, voltando ao assunto, eu não sei como você não desistiu dessa parada de amor. No começo é tudo muito bonitinho, essas coisinhas meio Malhação, mas porra, a mulher fica gorda, você fica careca, fica foda. Minha patroa por exemplo, você acha que eu tô ligando se ela estiver pegando alguém, um cara maneiro, jovem, sei lá? Porra, eu tô com essa barriga de cachaceiro, tô bêbado no pior bar da cidade com a camisa desabotoada até o umbigo... Ela que se foda também, só quero chegar na porra da minha casa e ver a comida pronta, ela cheirosinha me esperando. O resto que se foda mermão! Acho que tem um ditado sobre isso... mas sei lá, acho que me esqueci. Esse filho da puta não trouxe a porra da cachaça ainda, tô ficando puto. Tô vendo que você não tá afim de falar né... Tu não quer falar com o teu parceiro aqui veio pra que então, porra? Ah, tô ligado, entendi tudo. Acho que você tá começando a me entender né... Vou te falar, esse papo de amor eterno é bonitinho demais na tv, mas na vida real é pura balela, não funciona. Mas você quer ter um amor eterno, custe o que custar né... Pega isso aí que tô te passando por baixo da mesa. 38, cano reforçado, já dei sumiço em muito vagabundo com essa porra. Acaba logo com essa porra toda, mete um tiro nela e pára de sofrer com ela dando a bunda praquele idiota lá, ela falando merda na sua cara. Vou te falar, é na distância que o amor é real. Bonito isso né? Ah eu também sei falar bonito, tá pensando o que bródi? Mete a bala na cabeça dela, joga naquele terreno baldio que eu te falei outro dia, deixa o resto comigo, eu sou o fardado da galera né... Tu não vai ver a piranha ficar cheia de ruga, o braço mole, não vai ter que se martirizando com ela fodendo com aquele maluco que você odeia. É isso amigo, o amor é a parada mais egoísta do mundo, tu me entende agora. Vai lá, falou, boa sorte! E vê se depois me devolve o 38!Porra, agora que você traz a porra dos gorós? Só de ruim vou beber e não vou pagar porra nenhuma, teu filho da puta!
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 7:00 PM ::
Segunda-feira, Dezembro 25, 2006

Minha vida em MSN, parte VII
[Felipe]: Engraçado,
[Felipe]: Ganhei de natal uma foto gigante do Che Guevara.
[we are out of step]: HSIUAHISUHAIUHAISUHAISUHAIUSHAS
[we are out of step]: HSUIHSIUAHSIAHSIA
[we are out of step]: SERIO????
[we are out of step]: ashuihasihaishaisa
[Felipe]: Engraçado que eu nunca falei de Che Guevara na minha vida.
[we are out of step]: foda
[we are out of step]: deu mmole, podia ter queimado
[we are out of step]: iuahsuahsiuhasiua
[Felipe]: Tem umas idéias esquisitas, cabelo comprido, só pode gostar de Che Guevara.
[Felipe]: As pessoas tem um dom para generalizações medíocres...
[we are out of step]: joiajsoijaosia
[we are out of step]: rapaz
[we are out of step]: mt massa
[we are out of step]: qm te deu?
[Felipe]: Rapaz, pra te falar a verdade nem sei quem me deu.
[Felipe]: Tava debaixo da árvore com o meu nome.
[we are out of step]: nao foi sua irma, sei lá?
[we are out of step]: rpaz
[we are out of step]: vc eh mt grunge
[Felipe]: Por que diz isso?
[we are out of step]: sei lá
[we are out of step]: nao tenho argumentos
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 3:58 PM ::
Domingo, Dezembro 24, 2006

Já tive uma relação mais íntima com os meus álbuns, com as música que ouço em geral. As vezes, nós estamos em casa lavando a louça ou na rua esperando que o sinal feche para podermos atravessar e sentimos um cheiro que abrem as portas de nossa lembrança. Coisa normal, imagino. As épocas de nossas vidas estão ligadas à cheiros que vão ficando pra trás, o cheiro de uma casa em que não moramos mais e do trabalho dos pais; o cheiro da escola em que estudamos ou da casa de uma ex-namorada. As lembranças parecem tão distantes, até que venha esse estranho vínculo entre cheiros e memórias para amarra-las e traze-las um pouquinho mais perto do nosso presente.
Ouvir os cds que já estão com uma espessa camada de poeira cobrindo suas capas me traz essas sensações alegremente estranhas. Nirvana. Radiohead. Grandaddy. Mogwai. At The Drive-In. Sigur Rós. Belle & Sebastian. Galaxie 500. Muse. Sonic Youth. Os discos deles - e de muitos outros - me lembram lugares, situações, pessoas e emoções que acho que minha cabeça oca não seria capaz de resgatar sem esse empurrãozinho.
Suponho que eram mais do que meros cds, mais do meras músicas. Eram a trilha sonora da minha vida.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 4:43 PM ::
Sábado, Dezembro 16, 2006

Como vocês provavelmente sabem, a vida é muito curta. Por isso, gostaria de saber o que leva um ser a perder preciosos minutos de sua vida trabalhando nessas imagens:
balocco fã.jpg: Como podem ver, algum paparazzo me flagou numa descontraída conversa com o vocalista do My Chemical Romance, que eu não faço a mínima idéia de qual seja o seu nome. Estava quase convecendo-o a largar sua banda para fazer uma outra, inspirada no conjunto sueco Marduk, mas a intromissão do fotógrafo pois todos os meus esforços casa abaixo.
segredinho.jpg: Após a destruição que foi o show do Slayer, ainda tive tempo para mandar esse olhar charmoso para a câmera. Infelizmente, não sabia que ela portava uma nova tecnologia capaz de ler pensamentos, e um grande segredo veio à tona.

:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 7:36 PM ::
Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

O Espírito Natalino.
Era numa gigantesca e imponente mesa retângular de madeira de boa qualidade que a ceia natalina se dava todos os anos. A sala estava toda decorada com motivos natalinos, e o rótulo da Coca-Cola ainda insistia em ignorar contradição de mostrar papai noel curtindo a neve apesar do calor infernal que faz no Rio De Janeiro nessa época do ano. As crianças insistiam de um modo irritante que só as crianças são capazes de fazer em abrir os presentes que rodeavam a árvore de natal, e só se calaram quando dopadas com doses cavalares de Xuxa só para baixinhos.
Todos os anos o avô, grande patriarca, esperava todos se reunirem em torno da mesa para fazer longos discursos sobre a família, sua história e sua luta. Falava de seu árduo trabalho para sustentar a família, das dificuldades de sustentar os filhos e da alegria de ver o nascimento dos netos. Os discursos, esperados sempre com grande expectativa, alegrava a todos, justamente porque todos eram exatamente iguais, embora isso fosse um detalhe que ninguém tinha percebido até então.
Com o falecimento do avô, ficou no ar uma indecisão sobre se haveria ou não o discurso. Um dos tios, o mais falador, indicou o jovem sobrinho que acabara de se formar como orador. Provavelmente imaginou que seria uma grande honra, um grande presente para quem acaba de concluir sua faculdade, o direito à palavra em um momento como aquele. Os demais adultos concordaram satisfeitos com a indicação, com a excessão do pai (que só não se manifestou contra porque sabia que seria recriminado pelos demais).
Alguém se dirigiu à televisão e abaixou o volume, o que não diminuiu a fixação das crianças pelos movimentos infantilóides que Xuxa fazia em sincronia com sua música. O rapaz se dirigiu até a cadeira que ficava na quina da mesa retângular, e lá se acomodou. Poucas pessoas sentaram ali, pois era a cadeira do patriarca falecido. Encheram-se as taças de vinho, e cada um em torno da mesa pegou a sua, inclusive o novato orador que, em silêncio, permaneceu com ela na mão. Ficou alguns instantes em silêncio, olhando para um horizonte que as paredes brancas da sala de estar encobriam. Todos estavam em silêncio e, depois de um suspiro profundo, iniciou, sem deixar de encarar fixamente o horizonte que não exisitia.
Existem muitas coisas que poderiam... que deveriam ser tidas aqui, todos sorriam e mostravam o devido interesse à palavras do jovem. Ele, em contrapartida, demorava para falar, como que escolhesse as palavras. Parou por um instante, para logo em seguida despejar: mas não são as palavras que deveriam caber aqui. Se a vida é muito curta, suponho que a sabedoria humana é ainda mais curta, pois vejo que as pessoas tem dificuldades em perceber o que se está diante dos olhos. Sim, mas se muitas vezes somos incompetentes por natureza, pior somos quando fechamos os olhos, ignoramos a fugacidade da vida e as possibilidades que nos cercam. Os sorrisos se desmanchavam na medida contrária da empolgação das crianças, que já imitavam freneticamente os movimentos feitos pela Rainha dos Baixinhos. Dizem, pelas ruas que eu já visitei, que a tristeza é a chave da sabedoria. Por isso, gostaria de brindar à todos vocês, de brindar à toda a sabedoria vocês me proporcionaram, toda a sabedoria presa na minha garganta como um nó apertado e que só me dá vontade de chorar até morrer. Toda essa sabedoria que destrói à liberdade e me destrói dia após dia. À Sabedoria! Levantou a taça em direção dos familiares com um movimento convicto e, da mesma maneira, levou-a à sua boca para beber tudo de uma vez, como quem vira uma dose de cachaça em um bar imundo e perdido nesse mundo. Bateu a taça contra a mesa com uma força desproporcional, e como ela não se estilhaçou entre os seus dedos é um daqueles pequenos milagres que permeiam o espírito natalino. Deu boa noite à mesa perplexa, se dirigiu ao seu quarto para pôr o pijama e dormir. Ele não seria mais incomodado ao longo da noite.
Na sala, só esboçou-se algum movimento quando o filme da Xuxa acabou, e as crianças voltaram a implorar pela abertura dos presentes. Mas no quarto escuro, o jovem orador dormia o sono dos justos. Um sono que, imagina-se, nunca tenha tido em toda sua vida.
Suponho que essa seja esse o espírito natalino. A possibilidade mágica de se acordar um menino, e ser um homem ao deitar.
Zookeeper - st ep.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 2:19 PM ::
Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

II
Não sabia porque ainda perdia tanto tempo com ele. O antigo elevador subia de modo preguiçoso, e ele não parava de se perguntar. Por que ainda perdia tempo com ele? Abriu a porta e entrou no seu apartamento sem móveis, herdado do avô. Se alguma coisa ainda passava pela cabeça dele, acabou por desaparecer com os desesperados pulos de Karenin ao seu redor.
Deu alguns passos até o outro lado da sala, próximo da janela, e sentou-se no chão, para a felicidade do cão, que imediatamente subiu no seu colo. Karenin era um vira-lata muito do feio. O pelo preto bagunçado, especialmente ralo em algumas partes, um rabo comprido e fino que batia como um chicote em suas pernas, focinho estranhamente fino. Era um bicho afobado e que, por um problema que nunca descobriu exatamente o que era, mancava de uma maneira grosseira que fazia as crianças da vizinhança rirem com aquele desprezo que só as crianças são capazes de ter. Karenin era o oposto do primeiro cão batizado com o seu nome, e era exatamente esse o motivo dele ter batiza-lo dessa maneira.
Quando comentou com o amigo que tinha adotado um bicho de estimação, ouviu dele uma risada tão agressiva que desligou o telefone de imediato. Olhou para aquele bicho, ainda jovem, e deu um chute tão forte nele que o infeliz atravessou todo o quarto deslizando com o seu pelo macio pelo chão de madeira. O cão cuspia sangue e, imediatamente arrependido do que acabara de fazer, pegou-o em seu colo e correu aos prantos por Botafogo atrás de um veterinário que tratasse de suas feridas. Karenin sobreviveu, as vezes pareceu até ter esquecido a agressão inicial de seu dono, mas nunca mais entrou no quarto em que ela ocorreu, por mais que a porta esteja sempre aberta. Naquele mesmo dia, ao retornar à sua casa, o rosto inchado e ainda soluçando, cancelou a sua linha telefônica e nunca mais retornaria a ter uma.
Tanto Karenin quanto ele gostavam dos passeios diários faziam pelas manhãs. Ele caminhava sem pressa por uma praça dos arredores e o cão, sem coleira, acompanhava do jeito que a pata manca lhe permitia. Sentava-se num banco para ler alguma coisa do jornal, e freqüentemente parava para ver Karenin olhando alegre o movimento da rua, com sua língua de fora e seu nariz molhado, apontando para o mundo. Uma imagem que o alegrava profundamente. As vezes, olhava o cão e lembrava de um outro amigo, do tempo em que estudavam juntos. Nos dias em que essa semelhança passava por sua cabeça, entrava no quarto e dificilmente saía de lá. Era como se uma barreira invisível de espessura incalculável separassem os dois, homem e animal. O homem e suas amizades frustradas que só fazem evidenciar a angústia de viver.
Por que, por que ainda perdia o seu tempo com aquele imbecil!? Tentou se acalmar, e com a luz fraca do abajur olhou para uma das pilhas de livros, os únicos objetos que fez questão de levar da casa do pai. Lá, no topo, estavam todos eles. Tereza. Thomas. Os Soviéticos. Praga. Kundera. Tanques de Guerra. Karenina, Karenin, Ele. E, em um impulso de ódio, pegou desastradamente o livro para arrancar suas páginas e fazer chover histórias de amor e ódio por toda a rua. Despencou no colchão, cansado, e por lá ficaria por algum tempo antes de ouvir alguém bater à sua porta. Sabia, desde o início, de quem se tratava, era o único que subia livre de ser importunado pelos porteiros. Levantou de maneira propositalmente lenta, ignorou o bicho que esperava-o atrás da linha imaginária e foi em direção à porta. Não se surpreendeu ao vê-lo, mas quando olhou para o livro de Kafka que ele carregava debaixo do braço, pôde compreender.
Compreendera que os três, homem, amigo e cão, cada qual a seu modo, cada qual atrás de sua linha imaginária, só buscavam desesperadamente um pouco de atenção, umas palavras de carinho, uma confirmação para a estranha suspeita que todos têm de que a vida vale a pena ser vivida. Compreendera que, apesar de uma amizade destruída pelas divergências, ainda valia a pena perder tempo com aquele imbecil à quem a amizade era tão importante.
Não tinha notado que ainda carregava o que sobrara do livro despedaçado, mas a sua visita, com os olhos arregalados. não reparou em nada além disso.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 11:26 AM ::

I
Tinha o hábito de caminhar sem rumo pelo centro da cidade. Às vezes entrava numa loja de cds, às vezes assistia um filme ou folheava um jornal na praça. Isso deve ter durado uns dois anos, dois anos e meio no máximo. Então, em um dia ordinário e medíocre, desses em que as horas passam sem que percebemos e quando nos damos conta os créditos da novela das oito já estão subindo, cansou daquilo tudo. Havia me confidenciado, num dos raros dias de conversa que tivemos, que pra ele tanto fazia estar em casa, na rua, no céu ou no inferno: suas angústias e sua solidão não dependiam dessas coisas.
Outro dia me ligou e me chamou para tomar um café. Aprecio isso. Todo mundo hoje em dia me chama para tomar cerveja, ficar vendo gente superficial em algum ponto chique de Ipanema, em meio a música alta e preços mais altos ainda. Ele não, me chamou para tomar um café, por mais demodé que isso possa parecer. Marcamos num lugar aqui perto, em Copacabana. Argumentei que seria mais fácil para mim ir em algum legar mais próximo dele do que o inverso, visto que tenho carro e ele não. Mas ele disse um "já me acustumei à caminhadas" tão melancólico que fiquei sem ter o que dizer. Que venha então. Fazia um final de dia bonito, e fui caminhando na contra mão das centenas de pessoas que, em seus trajes de banho, iam de modo energético e desordenado em direção ao metrô, voltando de mais um dia de praia. Confesso que aquilo me causou um certo mal estar. Cheguei um pouco antes da hora marcada, sentei-me, pedi uma água para não ficar sem consumir enquanto o esperava, e fiquei observando as pessoas nas outras mesas comendo de modo mecânico e voraz seus lanches e seus refrigerantes. Até tentei desviar a minha atenção, mas havia um gordo de dimensões mórbidas, comendo um sanduíche de modo desesperado, maionese em volta da boca, catchup escorrendo em sua camisa suada, parecia ter dificuldade mesmo para respirar. Um espetáculo deprimente, mas difícil de ser ignorado: como assistir um leão doente fazendo truques no circo, talvez. Enfim, meu amigo chegou. Sentou alheio a tudo, inclusive à mim, e não pediu nada, para evidente frustação do garçom. A garrafinha de água que eu pedi ainda estava fechada.
Não falou nada, eu também não, e ficamos assim por uns momentos. Na verdade, não dava a mínima atenção à minha pessoa, concentrando-se em olhar o gordo que, com uma das mãos imundas de gordura levantada, pedia mais uma lata de refrigerante. A essa altura, todo o estabelecimento já tinha voltado as atenções para o patético comilão, e risadas e apontamentos discretos eram nítidos nas mesas e nos grupinhos de garçons que se formaram à distância. Alheio a tudo isso, nosso gordo amigo virava sua terceira lata de refrigentar num desespero tal que parecia que toda sua capacidade respiratória dependeria daquilo. Na tentativa de incentivar meu outro amigo, àquele que dividia a mesa comigo, perguntei baixinho qual era a opinião dele sobre aquela cena. Olhou nos meus olhos, pela primeira vez desde que chegou, e disse: Todo mundo é como esse gordo medíocre. Alguns são visualmente medíocre, outros nãos. Esse homem pelo menos tem a honestidade de mostrar para o mundo que é um ser medíocre, que é medíocre exatamente por ser um ser. E não tem diploma nem livros que resolvam a mediocridade da existência. Obviamente, se referia à mim, aos meus duros esforços em busca do diploma de doutor. Colocou-me ao nível de todos os habitantes -de todos os seres vivos- do planeta, e é nessa condição de igual que gostaria que nossa conversa de desenrolasse. Fiquei em silêncio, esperando pelo que diria a seguir.
- As pessoas tem esse hábito estranho, se acham melhores do que as outras. Todos os seres são iguais, ninguém é melhor que ninguém. Nada é melhor que alguma coisa. Uma pedra existe, um coelho existe, um ser humano existe. Mas por que eles existem? Existem por existir, só isso, é essa a grande questão da humanidade e a questão que as pessoas não querem engolir. Inventam Deuses, inventam o Socialismo, só para dizer que temos um objetivo nesse mundo. Não temos, simplesmente não temos, e não somos nada nesse universo. Se não somos uma pedra, ou uma porção de moléculas espalhadas pelo universo, tanto faz, é porque por uma fração ínfima do tempo, somos dotados de vida, uma obra do acaso, que tanto existiu como poderia não existir. Eu não sou melhor que esse gordo, esse gordo não é melhor que o boi que eles está comendo nos hámburguers deles, e ele não é melhor do que a cadeira em que ele está sentado.
Já um pouco incomodado com o tom agressivo em que ele se dirigia à mim, lhe falei que certamente ele não tinha me convidado para tecer comentários sobre um gordo e seus hámburguers, o que o irritou ainda mais. Muito pelo contrário, meu amigo, disse, já levantando-se da mesa, era exatamente sobre isso que vim lhe falar, e talvez lhe falte um exemplar de Ana Karenina debaixo de seu braço. Foi-se, sem olhar pra trás, como que convicto de que não valhia a pena perder mais do seu tempo comigo. Acho que o garçom também compartilhava esse desprezo por mim, depois de mais uma vez se aproximar para ver se eu tinha um interesse além da água que havia ordenado, já quente e ainda fechada. Pedi a conta, que tenho a impressão que propositalmente demorou a chegar, e fiquei olhando os cubos de gelo do copo derretendo. Paguei e, por pura coincidência, caminhei até a saída do estabelecimento no mesmo momento que o gordo. Caminhando com dificuldade pelo estreito corredor que levava à saída, fiquei sem opção a não ser acompanhar seu ritmo atrás dele, o que deixou em uma posição favorável para notar que as costas de sua camisa estava enxarcada de suor. Quando finalmente consegui sair, notei que a noite já havia chegado. Olhei para um lado, depois para o outro, e sem ter achado nada que valha qualquer tostão de pensamento, caminhei em direção ao meu prédio, tentando reconstruir as palavras do meu colega.
Já em meu apartamento, liguei a cafeteira para requentar o que havia sobrado do café da manhã. Bebi um pouco de água do filtro, abri a geladeira e pus lá a garrafinha que havia comprado, pondo-a ao lado de outras idênticas. Sentei-me na minha mesa e, depois de ponderar por alguns minutos, fui até a minha estante de livros, procurei pelo A Insustentável Leveza do ser, já empoeirado, e deixei meus deveres acadêmicos de lado pelo resto da noite, procurando uma lição de moral para toda essa história.
Meses mais tarde, quando voltamos a nos falar, lhe comentei nosso último encontro me motivou a ler Milan Kundera mais uma vez, o que pareceu ter lhe agrado profundamente.
Early Day Miners - All Harm Ends Here.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 11:22 AM ::

Não lembro para onde eu ia, mas eu sei que depois de rodar a roleta e me sentar, notei nas duas pessoas que discutiam, sentados no banco imediatamente na frente do meu. Falavam sobre cinema, acho que estudavam cinema, pelo menos foi o que eu entendi. Pelo menos o assunto girava em torno de toda a teoria que rodeia o cinema enquanto forma de arte. Acho que já contei essa história para alguns amigos, ou pelo menos eu acho que contei.
O rapaz, sentado mais próximo da janela, gesticulava agressivamente e falava alto, chamando a atenção de todo mundo que estava dentro do ônibus. Falava, quase cuspindo, sobre a importância do cinema na nossa sociedade. Um assunto que, como se pode perceber, é um tanto... chato. A menina, aquele tipo clássico de gordinha-de-cabelo-curtinho-pintado-de-ruivo-e-cult-que-ama-amoldóvar, era mais contida, e se resumia a responder a filosofia barata do amigo de modo monosilábico, as bochechas numa coloração que combinava com os cabelos tingidos. Eu lá, sem nada pra fazer, doido pra ligar o meu Nintendo DS que estava dentro da mochila, mas com o habitual medo de perder minha jóia para a criminalidade carioca que sempre me faz pensar duas vezes em joga-lo em ambientes públicos. Que venha a balela do rapaz, então.
Tinha uma história da limitação do cinema. Dizia que o cinema é um modo de arte limitado, porque depende de outro para existir. Complicado? Nem tanto. O próprio explicou, dizendo que o cinema depende do script, um roteiro escrito para que tenha a sua produção seja orientada, característica essa que limitava-o enquanto arte, uma vez que as limitações da escrita se transferem para a tela. A moça, mantendo o seu monosilábico jeito de ser, discordava, mas não apresentava argumentos sólidos para a discussão, e fiquei com a impressão que nem se dava ao trabalho de procurar algum, mas não deu tempo pra descobrir: tinha chegado ao meu ponto, e ao longo dos meses eu volta e meia me pegava pensando nessa história, tentando definir que tinha razão naquela conversa.
As vezes, fico pensando que o cara é quem tem razão, e vejo um filme qualquer pensando em como o roteiro foi trabalhado ali. Talvez o diretor seja um grande mestre no trabalho dele, mas com sérias dificuldades no português. Leu uma coisa e entendeu errado, trabalhou errado com a idéia, algo do gênero. Complicado. Outras vezes eu fico pensando que essa história é uma porcaria intelectualóide, e fico imaginando os argumentos que a menina deveria ter dito, apontando o dedo na cara do muleque para ver se ele pára de inventar bobagem. O fato é que já fazem meses isso, o cara já deve ter esquecido da teoria dele, e eu aqui pensando nessa história toda. O fato é que, semana passada, subindo o elevador que me levaria ao meu apartamento, eu cheguei a minha conclusão final sobre o assunto, dando-o por encerrado na minha cabeça:
Que porra de papo doido.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 11:21 AM ::
Terça-feira, Junho 27, 2006

Em pé: O Mito, Líder, SCB, CirrOZZY, Mosh, Coneman, O Motorista;
Agachados: Caranguejo Africano, The Trucker, Metal Crew Boss;
Ao fundo: Jim Carrey.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 11:34 PM ::

Não me parecia como uma regra, mas acontecia com uma naturalidade bonita de se ver. Era mais um daqueles dias de julho, em que a chuva e o vento dividiam as atenções da meteorologia, em que ao chegar em casa a gente tira os sapatos e fica com as meias. Bem, pelo menos foi o que eu fiz naquele dia. Vim caminhando pela cozinha embalado pelo silêncio que as meias em meus pés proporcionavam. Botei o rosto devargazinho pela porta que dá entrada à sala, como uma criança curioso, e pude ve-la da maneira como imaginava que estaria. Olhava distraída pela janela, com uma caneca de capuccino na mão. Um olhar para o infinito, parcialmente distorcido pela fumaça forte que sai da caneca, pela janela molhada e embaçada.
Um dia ela já havia me dito que não conseguia trabalhar em dias chuvosos. Não foi uma confissão fácil, muito pelo contrário: só foi realizada quando insisti muito em saber do por quê dela chegar tão cedo do trabalho em um período turbulento para o seu setor. Disse, assim, de um modo tão desgraçadamente tímido que senti-me horrível em ser tão chato. Fiquei com vergonha de aprofundar o assunto, de perguntar o que passa pela minha cabeça todo o dia. O que ela pensava tanto na frente da janela, com aquela caneca esfriando na mão?
Ela nem tinha notado minha presença, e achei melhor não incomoda-la. Em silêncio, carreguei minha pasta numa mão, meus sapatos em outra, até o meu quarto. Tirei da bolsa a pasta com as provas feitas hoje pelo meus alunos, e me postei a corrigi-las sob a luz do abajur. A tarefa foi ficando complicada com o silêncio que vinha da sala, cada vez maior. Levantei, andei pra lá e pra cá sem rumo aparente, até perceber que o meu destino era aquela sala maldita, e me vi ali na entrada dela, olhando aquela mulher com a caneca que já não fumegava mais na mão. Devargazinho, na ponta dos pés que ainda vestiam meias, comecei a me aproximar, mas antes mesmo de dar dois passos completos, ela falou, serena e suave:
- Um tempo tão gostoso, Me faz pensar tanta coisa...
Estava ciente da minha presença, talvez até mesmo quando eu coloquei a chave na fechadura da porta de casa, algumas horas atrás. Mas para ela, eu não interessava, tanto que não se deu ao trabalho nem de olhar pra trás, nem de um movimento que deixe claro que estava ciente da minha presença na sala, na casa, no universo. Envergonhado e sem formular uma única palavra de efeito responde-la, voltei para o meu quarto, para as provas de meus alunos. Aquele era um momento só dela, em que as coisas eram suas e a liberdade era plena. Não, meu amigo, eu nunca mais a incomodei nos dias de chuva, e acho que meu destino é morrer sem compreender a poesia de assistir um capuccino esfriar num dia chuvoso.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 9:12 PM ::
Sexta-feira, Junho 23, 2006

Colei com a Agressor no último sábado, quando se apresentaram em Campos dos Goytacazes. E, olha, não tem coisa que me deixe mais feliz do que essa combinação de estrada, amigos e rock n' roll. Born to be wild, beibe.
ô, quem dera...
Caxabaxa
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 2:35 AM ::
Quarta-feira, Junho 21, 2006

Com um chute, Ronaldo leva a bola para o espaço, que retribui com um brilho de esperança e alegria. Acho que essa era Brahma. Em outra, a seleção brasileira troca embaixadas e passes magistrais dentro do vestiário ao som de uma música alegre e boba, e em seguida cortava a cena para um bonito gol feito por eles. Ronaldinho acerta um voleio espetacular na propaganda de um posto de gasolina. Kaká vibra com um gol no anúncio de um barbeador. Juntam uma parte deles para fazer propaganda de um banco, "os melhores do mundo merecem o melhor banco do mundo". Parreira aparece em outra sobre um plano de saúde. Longe disso, alguma cerveja juntou meia dúzia de artistas populares em um anúncio em que cantavam felizes para uma platéia que parecia ter certeza de que o Brasil seria hexacampeão do mundo, uma certeza tão óbvia que faz com que ídolos rivais sonhem em ser brasileiros, em cantar o hino nacional com a mão no peito.
É tanta propaganda que parece não existir ninguém que chegue aos nossos pés, que nosso objetivo não é simplesmente ganhar, pois isso seria o mínimo esperado. É preciso DESTRUIR todos os outros times com firulas, goleadas e dribles que fariam qualquer um que não nascesse na Pátria Amada olhasse pasmado e com inveja, como quem olha para os deuses do futebol e sabe que nunca vai ser como eles. Aí quando a gente ganha, ninguém fica satisfeito. Todo mundo reclama, ninguém percebe que o que a gente espera não é o futebol que a seleção brasileira possui, mas o futebol que a propaganda vinculada nos diz que ela possui. Esquecesse até que, porra, a gente ganhou. Querem ver também o malabarismo que Ronaldinho fez na propaganda do chiclete.
Mas a minha propaganda favorita é aquela do Guaraná Antarctica, em que eles chegam no campo dentro de um caminhão de carga. Isso mesmo, dentro de um caminhão, como se fossem um sofá ou uma televisão, e saem empunhando orgulhosamente latinhas de guaraná com um sorriso que leva o público ao delírio. Acho que não é preciso mais dizer nada.
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FELIPE BALOCCO
:: 4:26 PM ::
Terça-feira, Junho 20, 2006

João e Maria é um conto de fadas que, antigamente, era contado para as crianças, e corria os vilarejos europeus no lombo dos cavalos, nas costas dos mercadores, e na memória das famílias que fugiam das mais diversas pragas que assoalaram as mais diversas épocas. E que, belo dia, um estadunidense espertinho passou tudo pro papel, patenteou, ficou rico, e agora deve ter um grupo de executivos para gerenciar o patrimônio enquanto joga golfe com roupas cafonas.
Se João e Maria fosse uma história ambientada em uma metrópole do terceiro mundo, João não jogaria migalhas de pão para se orientar, mas cataria pontas de cigarro ao longo da Av. Presidente Vargas, buscando se perder desse mundo de tristezas. Rodeava catando latinhas de alumínio dentro de lixeiras e guardava papelões que servissem de cobertor. Passava a semana dormindo embaixo da marquise do McDonald's, na esquina com a Uruguaiana, para economizar o dinheiro da passagem. Olhava distraído o movimento de carros de luxo entrando e saindo da garagem e as vezes se imaginava não rico, mas dirigindo um daqueles carros, ainda com suas roupas sujas e furadas. Já Maria ficava pelo barraco, lavava roupa de outras famílias e ia na casa da vizinha ver a novela das oito. Quando tinha tempo livre, escrevia com o seu português rústico todos os sonhos e frustações que permeavam a vida.
No final de semana João chegava tão sujo que Maria tinha vontade de chorar, mas segurava a vontade até ele entrar no demorado banho. Chorava com vontade. Chorava com raiva, pra dentro, como quem tem vergonha de si mesmo. Que vida é essa que não lhe permitia cuidar de seu amado, pegar na sua mão e, simplesmente, voar? Que vida era essa e os enforcava com as duas mãos com tanta força que tudo o que sobrava era a expectativa de quando o ar nos pulmões iria acabar? As rugas no rosto de João já tinham virado rachaduras, por onde o tempo gritava angustiado, sarcasticamente lembrando que na verdade eles eram jovens ainda.
João dizia que não acreditava em Deus, que tudo se tratava de uma piada de mal gosto e que quem criou o amor foi a pessoa mais maquiavélica do mundo. Mentia. Aquelas sextas feiras em que se encontravam, vermelhos de tanta saudade, faziam amor e, antes de adormecer, olhava-a rezando. Rezava com tanta vontade, com tanta convicção que os olhos se mexiam por baixo das pálpebras fechadas, as mãos tão juntas que suavam. Conversava diretamente com Deus, com a cara angustiada de quem voava mas não podia levar pela mão sua companhia. Olhava-a rezar, fazendo carinho de leve em seus cabelos encaracolados, e por um instante tinha a certeza absoluta de que Deus, de fato, existe.
E de que o inferno tem o nome de um Presidente.
Chico Buarque - Carioca.
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FELIPE BALOCCO
:: 10:53 PM ::

Lembra quando a gente era tudo amigo?
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FELIPE BALOCCO
:: 8:33 PM ::
Sexta-feira, Junho 16, 2006

Minha vida em MSN, parte VI
[Felipe]: No dia que aparecer no Jornal Nacional:
[Felipe]: "Brasileiro aparece morto em Paris. Cidadão é encontrado em um beco, aparentando não comer faz vários dias. Suas roupas eram esfarrapadas e, bizarramente, ele morreu abraçando um xbox360 em posição fetal".
[Felipe]: Já sabe que sou eu.
[Mulata]: AUHAUHAUHAUHHUAUHUHAUHA
Bloc Party - Silent Alam.
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FELIPE BALOCCO
:: 2:06 AM ::
Sexta-feira, Junho 09, 2006

Minha vida em MSN, parte V: especial Copa Do Mundo.
(Após enviar o comercial em que Maradona está na seleção brasileira.)
[Felipe]: Did you already saw it? I don't know if there is Guaraná Antarctica in UK.
[Felipe]: This commercial is forbbiden in Argentina, lol.
[Felipe]: (serious, it is forbidden).
[Sue]: lol I just watched! yes we have guarana here - not banned but you wouldn't see ads for it
[Felipe]: So, maradona said in the commercial
[Felipe]: "what a nightmare, i guess i'm drinking too much guaraná antarctica".
[Felipe]: And the locutor continues "the best players in the world one day dreamed about playng in our seletion".
[Sue]: Yes we see guarana here. We can get it in soft drinks in te supermarket and you can get it in chewing gum & chocolate. Very helpful stuff.
[Sue]: Maybe he was drinking it to wash down the cocaine.
[Felipe]: I guess you can't wash down cocaine with Guaraná.
[Sue]: no probably not.
[Felipe]: At least, he tries.
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FELIPE BALOCCO
:: 2:23 PM ::
Quarta-feira, Junho 07, 2006

Minha vida em MSN, parte IV
Primeiro dia:
[Felipe Balocco]: Aí rocker, você ainda vende a guitarra?
[Viktior]: sim
[Viktior]: depois a gente fala..
[Felipe Balocco]: $?
[Felipe Balocco]: 100?
[Viktior]: 300,00
[Viktior]: pode crá?
[Felipe Balocco]: 300?
[Felipe Balocco]: Ah não, 200
[Felipe Balocco]: Demorô?
[Viktior]: 250,00
[Viktior]: pra fechar cm chave do satanas
[Felipe Balocco]: 200, cara.
[Felipe Balocco]: Na boa.
[Viktior]: 230,00
[Viktior]: fecho
[Viktior]: vou ver e te falo o preço
[Felipe Balocco]: Beleza, 200 então.
[Viktior]: quero pegar um baixo
[Viktior]: tem um baixo
[Viktior]: troco no pau
[Felipe Balocco]: Não tenho baixo.
[Felipe Balocco]: 200 no pau
[Viktior]: hehehe
[Viktior]: eu vou ver quanto vale ela
[Viktior]: depois a gente fala..
[Viktior]: amanha
[Felipe Balocco]: Fechou então, valeu.
[Felipe Balocco]: Vou te dar os 200.
No dia seguinte...
[Felipe Balocco]: E aí, vai vender a guitarra?
[Viktior]: ah sim
[Viktior]: vamos conversar
[Viktior]: qual a forma de pagamento?
[Felipe Balocco]: Te cedo os direitos autorais de todas as músicas que eu compor com ela.
[Viktior]: hehehehe
[Viktior]: obrigado
[Viktior]: isso eu passo a frente
[Felipe Balocco]: Seu capitalista
[Felipe Balocco]: Quer quanto?
[Viktior]: rapaz, na boa
[Viktior]: eu paguei 300,00 nela
[Viktior]: te vendo por 230,00
[Viktior]: passa hoje pra conta da carla, ou amanha
[Viktior]: e tamo feito
[Viktior]: 230,00 é preço de indie véi
[Felipe Balocco]: Te dou 200, já falei.
[Viktior]: porra balocco
[Viktior]: 230,00
[Felipe Balocco]: Isso vai aquecer seu coração no inverno das lágrimas?
[Viktior]: beacho
[Felipe Balocco]: As canções não tem preço, a música não tem valor.
[Felipe Balocco]: Você acha que com 30 reais a mais, você vai comprar a felicidade?
[Felipe Balocco]: Abstenha-se dos luxos materialistas,
[Viktior]: hehehehhe
[Viktior]: é pra patroa nao encher o saco
[Viktior]: hehehehe
[Felipe Balocco]: Lembro de você falando sobre a beleza da chuva.
[Felipe Balocco]: Agora você só vê beleza NO LUCRO.
[Viktior]: hehehehe
[Felipe Balocco]: Não vejo graça na sua mudança de valores,
[Felipe Balocco]: Um mero papel, o dinheiro, que você dá tanto valor.
[Felipe Balocco]: Não entendo!
[Felipe Balocco]: Por que o dinheiro é tão importante pra você?
[Felipe Balocco]: Fechemos nossa transação por R$200, como prova de sua abstinência aos valores materiais.
[Viktior]: caralho heim balocco
[Viktior]: chora nao
[Viktior]: esperneia
[Viktior]: vai me dar a vista?
[Felipe Balocco]: Você parece sedento pelo dinheiro, quer o dinheiro na mão,
[Felipe Balocco]: Você quer o lucro pelo lucro,
[Felipe Balocco]: Desvirtua todos os seus ideais pela ambição,
[Felipe Balocco]: Eu lhe pergunto:
[Felipe Balocco]: Vale a pena?
[Viktior]: vale
[Viktior]: hehehehe
[Felipe Balocco]: Tudo que vem em doses homeopáticas é melhor, o exagero é um luxo burguês, você sabe.
[Felipe Balocco]: Assim como as nuvens, que atravessam meses cruzando o mundo com sua chuva linda e cristalina,
[Felipe Balocco]: Acho que podemos parcelar em duas vezes.
[Viktior]: hehehehe
[Viktior]: esse seu papo num vai a lugar nenhu,
[Viktior]: nem aqui, nem no brasil
[Felipe Balocco]: Talvez em Omaha.
[Viktior]: na boa
[Viktior]: 250,00 eu faço em duas vezes
[Felipe Balocco]: Percebe que você está interferindo na expressão musical de um rapaz com sua ganância insaciavel?
[Felipe Balocco]: Acha isso justo?
[Viktior]: eu vou ver aqui, te confirmo amanha
[Viktior]: pode crá?
[Felipe Balocco]: Por que deixar pra amanhã o que você pode fazer hoje?
[Felipe Balocco]: Diga, "sim, duas parcelas de 100 reais"
[Felipe Balocco]: E vai ficar todo mundo feliz.
[Felipe Balocco]: Fechou duas de 100
[Felipe Balocco]: ?
[Viktior]: ah vai essa porra
[Felipe Balocco]: Que os deuses do rock lhe abençoem.
Explosions In The Sky - Friday Night Lights Soundtrack.
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FELIPE BALOCCO
:: 10:20 PM ::
Segunda-feira, Junho 05, 2006

O jornal O Globo de hoje estampou boa parte da primeira página à morte do guitarrista do Detonautas, que morreu ontem tentando furar um bloqueio de criminosos. Dentro do jornal, mais uma folha inteira ao caso. Falo d'O Globo porque é o jornal que meu pai assina aqui em casa, mas uma olhada breve nos diários de hoje mostra que o fato sofreu bastante repercussão. Quando cheguei da universade dei uma zapeada na televisão e até aquele tal de Leão Lobo tava falando nisso. É, levaram mesmo a sério a parada. Eu, sinceramente, sou indiferente ao fato do rapaz estar vivo ou morto.
Afinal de contas, morrer com um tiro é coisa normal. Normal mesmo, fazer o que? Todo dia alguém toma um tiro e morre em tudo quanto é lugar do Rio De Janeiro. Sempre morre um marginal, um policial, um menino de rua ou um trabalhador que espera o ônibus para pegar no batente. Ninguém presta muita atenção nisso, as pessoas mortas com a cabeça aberta na capa de um jornal sensacionalista não assusta. Ontem, por um acaso do destino, o bala foi parar dentro de um cara famoso, um guitarrista de uma banda lá. Aí fica complicado, né, a "classe artística" (as aspas representam sarcasmo), que a gente vê em clipes cools na MTV ou comendo pizza no Faustão, não foi feita pra tomar tiro em blitz de marginal. Como se vivessem em uma redoma de vidro, alheios ao mundo dos meros mortais, e cabe à gente esticar os braços nos shows pra chegar mais perto deles, pagar ingressos caros para ve-los ao vivo e lermos suspirantes sobre suas vidas maravilhosas e turnês sensacionais. Mas o cara morreu, do nada, se juntando a outros sete que morreram nos últimos dias da mesma maneira, mas que ninguém deu a mínima. Bom, pelo menos eu não dei a mínima. Você deu? Duvido. Não quero chegar ao ponto de criticar modelos sociais nem apontar soluções ideológicas, não estou aqui pra isso. Mas queria dizer que as coisas transitam em um absurdo que é a naturalidade desse escândalo, e que me dá um pouquinho de nojo quando penso sobre isso. O enterro do rapaz foi televisionado, com uma bandeira do Brasil em cima do caixão. Ora, que coisa horrível. O que esse rapaz fez para o Brasil que o faça merecer uma bandeira em seu caixão? Se a sociedade é nacionalista, que enterrem também os anônimos com bandeiras do Brasil. Se o país é uma nação democrática em que todos são iguais, por que não televisionar os outros sete que morreram, mostrar as famílias deles chorando e pondo bandeiras nacionais em seus respectivos caixões? Porque os outros sete, meus amigos, não são famosos. E o guitarrista do Detonautas, que é uma banda horrível de tão chata, era famoso pra caralho. Comia pizza no Domingão do Faustão.
E o Detonautas, vai acabar continuando. Até porque, diga-se de passagem, quando é que eles conseguiriam uma página inteira d'O Globo só pra eles? Aquele vocalista, que se enche de tatuagens e pinta o cabelo de cores bizarras, em uma patética tentativa de chamar a atenção, vai ficar mais sério. A gravadora vai começar a apelar mais para o tom político da banda, que aos poucos vai deixar de cantar sobre festas e pegações pra falar de problemas sociais e políticos típicos do terceiro mundo. Talvez role uns videoclipes em preto e branco com meninos de rua morrendo, mas o que vai rolar mesmo é reportagens na MTV falando de ONGs que eles apoiam. Detonautas vai virar uma banda política, vai vender cinco vezes mais discos, o grau de histeria nos shows vai se multiplicar, e o vocalista talvez até consiga namorar a protagonista da novela das oito do momento.
Entendeu, né? E tudo com aquela naturalidade nojenta que a gente se acustumou.
Clann Zú - Black Coats and Bandages;
Moby - Play.
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FELIPE BALOCCO
:: 6:43 PM ::
Terça-feira, Maio 30, 2006

Acho muito engraçado a relação afetiva das pessoas. Amigos trocando juras de amor, vivem grudados, dizem que não sabem viver ums em o outro, tiram milhares de fotos juntos para o fotolog, e trocam elogios com uma futilidade que assusta qualquer um que preze pelos reais sentimentos. Minha cabeça trabalha em um ritmo totalmente oposto. Tenho poucos amigos e, pra ser sincero, quase nunca os vejo. Sou uma pessoa solitária, eu acho. O que não é necessariamente algo ruim. Gosto de ficar sozinho, ué.
Talvez seja coisa de gente chata mesmo. O fato é que chego a ficar meses sem ver determinadas pessoas, por mais carinho que eu sinta por elas. E, sinceramente, não acho que teria paciência para ficar no grude das amizades teens que vejo por aí, pra ver meus amiguinhos todo o santo dia. Gosto de ir ver um filme sozinho e pegar o ônibus pensando nele, gosto de passear pelo centro vendo o ritmo apressado das pessoas, gosto de ler de tarde, gosto de tomar um café olhando pela janela. Gosto, principalmente, de pensar na minha vida por mim mesmo, de modo que, meus amigos, no geral, não fazem muita idéia do que se passa na minha vida particular. Mas acredito que todos os meus amigos sabem quem são, sabem o quão são importantes pra mim, sem pieguice.
Então, quando um amigo veio passar o final de semana aqui em casa, pra mim é legal e diferente pra mim ficar tanto tempo próximo de uma pessoa que, sem dúvida nenhuma, é um ser completamente diferente de mim, tão diferente que chega a irritar. Ele gosta de física, e os olhos brilhavam quando ele me falava que construiu uma calculadora com as próprias mãos, embora fosse uma calculadora que só faz soma e subtração, é preciso salientar. Achei a proeza muito boba. Em compensação, achava meu gosto por História quase bizarro, olhava pra mim como quem olha um marciano quando falava da marinha nazista. Falava sobre os rolos amorosos dele enquanto eu o goleava por sete a zero no videogame. Falava do trabalho enquanto eu preparava um lanche pra mim. E falava de música, enquanto eu o mandava se foder.
Fazia um ano que eu não o via direito, e eu o mandei se foder como se fosse normal mandarem os outros se foderem. E eu acho que isso define bem o meu conceito de amizade.
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FELIPE BALOCCO
:: 1:11 PM ::
Terça-feira, Abril 11, 2006

"Olhou-me nos olhos, mediu minha reação ao que acabava de me contar, e disse: Então, vá correndo procurar essa pobre criatura mesmo que seja verdade o que dizem os seus ciúmes, não importa, o que você viveu ninguém rouba. Mas, isso sim, sem romanticismos de avô. Acorde a menina, fode ela até pelas orelhas com essa pica de burro que o diabo premiou você pela sua covardia e mesquinhez. De verdade, terminou ela com a alma: não vá morrer sem experimentar a maravilha de trepar com amor".
-Gabriel García Márquez, Memórias de Minhas Putas Tristes.
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FELIPE BALOCCO
:: 3:31 PM ::
Quinta-feira, Abril 06, 2006

Minha vida em MSN, parte III
[Lukinha acaba de te adicinonar com êxito]
[Felipe Balocco]: Olá, quem é?
[Lukinha]: sol prima de oskarzinho
[Felipe Balocco]: 'sol?'
[Lukinha]: eu sol
[Felipe Balocco]: Seu nome é 'sol'?
[Lukinha]: nao lukinhax
[Felipe Balocco]: E o que o sol tem a ver com isso?
[Lukinha]: nada
[Felipe Balocco]: ?
[Lukinha]: vc e de onde
[Felipe Balocco]: Rio De Janeiro.
[Felipe Balocco]: Quando você disse 'sol' você quis dizer 'sou'?
[Lukinha]: eh pow
[Felipe Balocco]: putz.
[Lukinha acaba de ser bloqueada com êxito]
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FELIPE BALOCCO
:: 2:19 AM ::
Sexta-feira, Março 31, 2006

MInha vida em MSN, parte II:
[Felipe Balocco]: Vai estudar, vagabundo.
[Heron]: hauhauahau
[Heron]: to de ferias
[Heron]: por causa da gereve estudei janeiro...agora to de ferias
[Felipe Balocco]: Férias é o meu piru.
[Felipe Balocco]: Pega o livro pra lê.
[Heron]: sou engenheiro...nao leio
[Heron]: soh faço conta
[Felipe Balocco]: Faz essa conta;
[Felipe Balocco]: 665+1
[Heron]: o numero da besta!
[Heron]: de lucifer meu amigo
[Felipe Balocco]: Que isso Heron, Jesus vai ficar bolado...
[Felipe Balocco]: Qual é rapá.
[Felipe Balocco]: Fica brincando com essas paradas.
[Felipe Balocco]: Vou contar pro padre.
[Heron]: o meu eh pastor
[Heron]: hehehe
[Heron]: sou crente
[Felipe Balocco]: Não sei a diferença.
[Heron]: vou te levar na igreja e te mostrar
[Heron]: o caminho a verdade e a vida
[Heron]: vc vai largar essa vida impura
[Felipe Balocco]: Vida impura, olha que fala.
[Felipe Balocco]: A pnultima foto do seu fotolog, você dando parabéns para lis.
[Felipe Balocco]: Vocês estavam fazendo o que no pecado, debaixo daquele solão?
[Heron]: hauhauahuahauhauahauha
[Heron]: curtindo a praia
[Heron]: oq seria?
[Felipe Balocco]: Sua consciência é seu guia.
[Felipe Balocco]: Já dizia conríntos 14..
[Heron]: haha
[Heron]: mas em joao 13 diz oq entra pela boca do homen nao cnotamina
[Heron]: contamina e sim o sai
[Heron]: e em genises 2 versiculo 7 diz q o fruto proibido eh a maça
[Heron]: nao oq vc tah pensando
[Felipe Balocco]: Quer dizer que você tem embasamento teológico para fumar maconha?
[Heron]: ueh a palavra diz isso
[Heron]: proibido eh a maça
[Heron]: e eu posso consumir tudo q nao me contamina
[Felipe Balocco]: Você não come maçã, mas fuma maconha.
[Felipe Balocco]: Isso é uma atitude cristã.
[Heron]: neh nao?
[Heron]: pq nao seria?
[Felipe Balocco]: Cara,
[Felipe Balocco]: Vou botar essa conversa no meu blog que tá hilária.
[Heron]: bota lá
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 2:07 PM ::
Terça-feira, Março 28, 2006

Faltam poucas horas para o primeiro brasileiro ser lançado ao espaço e pô, acho essa coisa de espaço uma parada muito foda. É verdade que eu nunca sonhei em ser astronauta quando pequeno, até porque cada vez mais eu me dou conta que, mesmo sem ter muita noção disso, o meu negócio sempre foi História. Mas sempre fui muito interessado nessa coisa de alienígenas, conspirações da Casa Branca, Arquivo X, Jornada nas Estrelas, essas coisas todas. Agora, já com os pés mais no chão, prefiro torcer pro Marcos Pontes ficar oito dias em órbita e voltar vivo do que acompanhar histórias sobre extraterrestres que falam inglês com orelhudos sem sentimentos.
Não era nascido na corrida espacial, mas imagino que tenha sido uma correria muito interessante. É interessante ver que todo mundo que presenciou a chegada do homem à lua sabe exatamente o que estava fazendo no momento. Pergunta pra alguém da sua família, eles vão lhe dizer com mais detalhes do que você é capaz de acreditar. Dando banho no cachorro, lendo um livro, transando com a namorada, não interessa: Ao que parece, até náufragos isolados em ilhas remotas do Oceano Pacífico sabiam que o homem tinha acabado de pousar em solo lunar. E é capaz de o náufrago ainda lhe falar que estava partindo um delicioso coco com as unhas no momento em que o Armstrong falou a célebre frase: um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade...
Se bem que essa história 'grande passo para a humanidade' é o caralho. O cara chegou lá, fincou a bandeira a bandeira dos Estados Unidos e foi embora. Podia ser a da ONU, a da OTAN, NAFTA (acho que não existe bandeira do NAFTA)... Até do G-8 podia hastear! Agora, a lua é monopólio. United States wins.
Não estamos mais na época da corrida espacial, muito longe disso. Se naquele tempo eram poucos os patriótas à alcançarem o espaço, em poucas e extremamente calculadas missões que fazia todo mundo parar tudo o que estivesse fazendo, hoje em dia para você descobrir por si próprio que a terra é redonda só é preciso ter uns milhões de dólares no bolso, ter sido um rapaz mimado na infância e gostar muito de chamar a atenção. Até o cara do N' Sync vai (ou já foi, não tenho certeza) cruzar a estratosfera. E nosso próprio espaçonauta tupiniquim, o Sr. Marcos Pontes, vai porque o governo brasileiro desembolsou grana para a União Sov...quero dizer, para a Rússia. Se é o governo brasileiro, o iraniano ou o condomínio do prédio da minha avó, tanto faz para a agência espacial russa, o que importa é $$$. Dá até pra levar um time de futebol pro espaço, é só abrir a carteira (o que não é uma má idéia, tem muita gente no Flamengo merecendo passagem só de ida).
Enfim, mas se mandar alguém para o espaço não tem o mesmo impacto de outrora, não se pode dizer que não é um feito impressionante. Tem-se estufado o peito ao se dizer que Pontes é o primeiro astronauta do hemisfério sul. Curiosidade geopolítica um pouco estranha de se orgulhar, mas que tá valendo. Em simpatia ele, definitivamente, empata com o Gagarín, soviético que foi o primeiro ser humano que entrou em órbita terrestre. Digo 'ser humano', porque os cruéis comunas resolveram enviar um animal antes, A corajosa cadelinha Laika, que eu não tenho a mínima idéia se voltou viva ou não. Voltando ao assunto da simpatia, havia comentado outro dia com um colega que o Marcos Pontes era parecido com o Yury Gagarín. Ambos são amáveis, distribuem sorrisos, acenam para os terráqueos e mijam em tubos apertados de cabeça para baixo. Nesse ponto, o soviético tem mais crédito: Duvido que alguém daquele lado do planeta sorria com a mesma facilidade que um brasileiro.
Tem gente que não acredita que o homem foi ao espaço, que pisou na lua. Já li teorias conspirativas sobre isso. É verdade que o desenvolvimento tecnológico dos EUA foi tão rápido que beira o inexplicável, é verdade que se possuia tecnologia cinematográfica em mãos para forjar uma aterrissagem lunar de maneira a parecer verídica e é verdade que o governo estadunidense tinha motivos de sobra para fazer isso. É uma coisa que não tem como saber se é verdade ou não, é como acreditar em Deus. Ou a gente acredita, ou não. Não se fica questionando. Talvez Marcos Pontes esteja, ao invés de em uma base militar no Cazaquistão esperando pela decolagem, trancafiado em um estúdio de Hollywood e lendo roteiros sobre o que vai dizer pelo radiotransmissor. O que será que ele falará quando chegar ao espaço? Tem que rolar uma frase de efeito, algo de impacto. Que tal: "Portugal cruzou os mares em direção do futuro, e o Brasil cruza o espaço rumo ao amanhã!". Brega, eu sei. Mas tomara que seja algo do gênero, ao menos. Nesse periódo de eleições e Copa Do Mundo, não vai ser nada surpreendente se, lá em cima, ele falar "Vote em Lula!" ou "Brasil hexa pooooooorra!!". Quanto a mim, prefiro acreditar que a viagem é real. É uma coisa alegre, bonita e legal de se acontecer. Mesmo que a bandeira brasileira se poste humildemente entre uma estadunidense e uma russa na pintura externa do foguete. E é muito legal ver os argentinos roxos de inveja e já doidos pra lançarem um astronauta também.
É um acontecimento para gente dizer pros nossos filhos e netos o que a gente estava fazendo no momento em que o Plantão da Globo entrou no ar, dizendo que ele tinha chegado lá e que estava tudo bem, mesmo sabendo que seja esse um feito pequeno se comparado aos dos peixes grandes. Parece que já até fazem transmissões decodificadas por sinais de rádio para, um dia, possíveis seres interplanetários conheçam nossa civilização através dessas mensagens. Em inglês, é claro.
Nervoso - Saudade das Minhas Lembranças
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FELIPE BALOCCO
:: 8:27 PM ::
Segunda-feira, Março 27, 2006

Minha vida em MSN, primeira parte:
(...): oi eu sou a irma da joanita
(Felipe Balocco): Olá.
(...): oi vc tem quantos anos
(...): hehehe
(Felipe Balocco): 21.
(...): hehehe
(Felipe Balocco): ?
(...): fala
... acabou de pedir a sua atenção!
(Felipe Balocco): Falar o que?
(...): vc nao quer falar comigo
(...): eu tenho 10 anos
(Felipe Balocco): Tô falando ué.
(...): oque
(Felipe Balocco): O que você perguntou.
(...): nada
(Felipe Balocco): Então.
(...): entao oque
(Felipe Balocco): Ahm?
(...): ahm e oque
(Felipe Balocco): Ahm OU o quê?
(...): nao sei
(Felipe Balocco): Tem que saber, ué!
(...): nao sei nao
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FELIPE BALOCCO
:: 9:26 PM ::
Domingo, Março 26, 2006

Leçon 4: Rédaction - Ma Famille
J'ai un frére e deux soeurs, et je suis le plus vieux. Mon pére e ma mére sont divorcé, mais mon pére a marrié encore. Avec mon pére et sa femme, habites les fils plus vielles, je e une soeur. Nous faisons faculté et nous avons besoin de étudier beacoup. Les autres enfants de mes péres habites avec mon mére, en Búzios. J'aime tous mes fréres beacoup, mais nous sommes tré differents. Je pense qui nous avons differents désirs, different formes de voir la vie. Je ne parle pas beacoup avec mon pére. Il est une personne tré égoiste, qui seulement fait le choses qui lui plait. Je suis tré dessappointé avec mon pére, car il pense qui votre fils ne peuvent pas avoir revês aussi. Je tente lui montrer les choses, mais tout qui mon pére veut faire est voyager avec sa moto...
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FELIPE BALOCCO
:: 5:53 PM ::
Sexta-feira, Março 24, 2006

Sabe aquele cara pacato, que nunca chega atrasado no trabalho, usa camisas sociais bem-passadas e óculos grossos, que não fala palavrões e trata a família com carinho e respeito; Aquele cara que não tem muitas ambições, que guarda todas as suas economias para quando a velhice chegar e quer que o filho seja advogado e a filha médica; Que paga os impostos, vai a Igreja e nas reuniões do condomínio. Ajuda as velhinhas. Aquele cara que as pessoas olham incrédulas quando o vêem estampar a primeira página do jornal mais vagabundo da cidade, entrou em um McDonald's e metralhou todo mundo antes de se matar. Cheio de fotos sangrentas, os defuntos, o próprio cara com um buraco a mais na cabeça. Os pais dizem aos repórteres que ele sempre foi uma pessoa tranqüila e que nunca esperariam que ele fizesse alguma coisa tão absurda. Os pais dele, sua família, o jornal e o resto do mundo não o entendem.
Mas não úma coisa muito difícil de se compreender.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 7:42 PM ::
Terça-feira, Março 21, 2006

Dentre os poucos luxos burgueses a que me dou o direito de possuir hoje em dia, está o de comprar livros. Poucas coisas são tão gostosas quanto entrar numa livraria e sentir aquele aroma de livro novo no ar, aquela sensação bacana de ver que o conhecimento está ao seu alcance. Meio piegas, mas não tem problema não. Livros são coisas muito bonitas. Bonitas demais. São montanhas de coisas bonitas (e feias) que o homem faz (e deixa de fazer), e dá vontade de se viver mil anos, para se ter tempo de ler todos os livros do mundo.
Aliás, mil anos é pouco. Dá vontade é de viver outros mil anos para a gente poder ver tudo aquilo que foi lido. Por que os franceses deram a Estátua da Liberdade para os Estadunidenses e como é que um povo consegue gostar de algo tão chato quanto Futebol Americano; Por que a Inglaterra teve fábricas antes do resto do mundo, o que foi a Guerra do Chaco, por que os prédios tem que ser tão altos e por que eles caem por tão pouco; Por que os angolanos sentem tanto carinho pelos brasileiros e por que os bolivianos querem meter a porrada nos chilenos; qual é o motivo dos japoneses fazerem games tão legais e qual é a sensação de se comer um McDonald's na China; por que a gente se sente tão solitário e como é que tem tanta gente no mundo; Quanto tempo leva para se ir de Paris à Londres naquele trem irado que passa por baixo do Canal da Mancha, porque o Reino Unido não possui uma, ao invés de quatro seleções de futebol; Como é que o Lênin até hoje não se decompôs e conseguiu viver mais do que a sua União Soviética; Por que é que a gente chora, o que é que a gente quer na vida, como as palavras surgem. O que acontece depois que a vida acaba. Por que é que os sonhos tem que morrer.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 7:02 PM ::
Domingo, Março 19, 2006

Poucos minutos atrás, fui infeliz na minha tentativa de equilibrar em minhas mãos um copo de Coca-Cola e uma garrafa sem tampa do mesmo refrigerante, um prato cheio de torradas com manteiga e dois controles remotos durante a curta, porém escura, travessia entre a cozinha e a sala. Uma torrada das torradas escapou de meu prato e foi de encontro com o chão, mas eu, que tenho como mestre supremo aquele que é chamado pelos mortais de Homer J. Simpson, resolvi deixar a torrada no chão até que eu termine meu delicioso lanche da madrugada. Foi só depois de um strike da seleção japonesa de baseball no jogo contra a Coréia do Sul, uns vinte minutos depois, que me bateu uma dúvida cruel: Teria a torrada caido com o lado da manteiga para cima ou para baixo? Seria a Lei de murphy verdadeira? Estaria tudo fardado a dar errado?
Levei para a cozinha tudo o que a ela pertencia e fui em passos cuidadosos, temendo de pisar na torrada e ampliar ainda mais a merda que já tinha feito, até o interruptor. Acendi a luz, e a verdade foi a mim revelada. A torrada tinha se quebrado em dois pedaços, uma metade com a manteiga para a baixo e a outra, com a manteiga para a cima.
E comecei a arrumar aquela pequena bagunça, rindo de mim mesmo.
:: Postado Por
FELIPE BALOCCO
:: 5:02 AM ::
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